Percepções estúpidas (Trabalho e Indignação)

Hoje foi um dia em que, pelos lidos e ocorridos, teria tudo para me voltar à indignação. Ao mesmo tempo, um dia de muito trabalho. Fiquei com a clara sensação de que o trabalho embotou a indignação, cansou a mente e o corpo, focados na busca pelos resultados. Independentemente do que acham os idiotas que vão chamar o vídeo de comunista, estou falando de um proprietário de microempresa, uma empresícula, ou seja, que não é proletário, e que procura não explorar seus colaboradores (perguntem lá para eles).

Vemos o Governo Federal em que votei (em segundo turno, mas votei) forçando a obra da usina de Belo Monte, um monstro desnecessário, caro e que usa dinheiro que poderia ser aplicado numa solução adequada ao nosso tempo. Tem ainda o Código Florestal, que entre outros absurdos, que perdoar o mal agronegócio dos crimes ambientais.

Vemos que o crescimento do país, além de ser reduzido por irresponsabilidades internas, estas que só nós podemos resolver, ainda somos mal influenciados pelas irresponsabilidades externas, aquela libertinagem toda que os direitinhas chama de liberdade individual e de iniciativa.

Vemos manifestações de ressentidos direitinhísticos (palavras sinônimas), que usam recursos retóricos apenas para se sentirem parte de qualquer elite, econômica, intelectual, e arranjarem motivos para se convencer de que são melhores que os outros (todos eles são Platões em potencial, querem um governo de filósofos). Ainda sobre isso, qualquer idiota deveria saber que confrontação não gera colaboração. Claro que falo assim porque a não colaboração deles pode trazer mais diversão se as coisas derem certo e eles estiverem marginalizados do processo, só para esfregar na cara. Enquanto, isso vamos colocar o som alto embaixo da torre de marfim que eles tentam construir – eles diriam reconstruir pois são sempre muito saudosos de coisas que não viveram.

Vemos que a obra atrás de casa está tapando o sol do meu quintal, além do que o arquiteto não rejuntou o espaço entre o muro da casa e o meu, o que, tudo constante, fará meu escritório cair sobre a referida casa em menos de um lustro. Pelo menos, eles pararam de ouvir música enquanto trabalham.

Esse trabalho todo me deixou num humor constante, o que pode ser um sinal de que a alienação (num sentido menos técnico do que usa Marx) se aplica também aos capitalistas. Deve ter deixado constante também o humor dos que ganharam e continuaram ganhando com a crise e dos direitinhas (o que muitas vezes também são sinônimos) e dos pedreiros aqui do lado e dos que trabalham para o Governo Federal (chupins de qualquer orientação política ou trabalhadores em sentido pleno), pois a vida continua independentemente de quem vive. A mudança só ocorre pelo trabalho e pode dar muito trabalho estancar a mudança. A indignação por qualquer dos lados, é só o começo.


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